Aos poucos vão surgindo as evidências sobre o golpe aplicado contra o bilionário paulista Olympio José Alves. Primeiro foi descoberto que ele, mesmo morto sentou na frente de um juiz para liberar uma fortuna. Depois também surgiu o fato da audiência ter sido apenas simulada.
Mais adiante a Justiça tomou conhecimento que o golpe foi planejado por dois advogados que não aparecem no processo. Agora veio à tona o que pode se considerar a comprovação de quem levou o dinheiro e onde foram trocados os cheques milionários.
Apesar de estar sendo tratado como se estivesse em segredo de Justiça, o “Caso Olympio” tem vazado informações para todos os lados. Pessoas que conhecem o caso não param de enviar informações através de e-mails. O mais recente conta a história do local onde os cheques foram descontados, todos de uma só vez.
Os mais de R$ 8 milhões, possivelmente divididos em 11 cheques administrativos, foram descontados em uma factoring localizada em Cuiabá. Ao saber o que estava acontecendo e que o dinheiro teria sido retirado de uma conta de espólio, o dono da agência de fomento teria afirmado que falaria tudo caso fosse acionado pela Justiça.
“Eu conheço o dono da factoring e sei que ele está muito preocupado com o desenrolar dessa questão. Até porque, e ele não poderia ter trocado os cheques de pessoas físicas. Sei também que ele vai abrir a boca caso seja convocado pela Justiça. Até porque, agora fica fácil, pois o Banco Central pode fornecer todos os dados para quem os cheques foram emitidos”, observou um advogado que também acompanha o caso.
O “Caso Olympio” continua sendo acompanhado e investigador pela reportagem com a ajuda de dois promotores de Justiça. A Corregedoria Geral de Justiça do Tribunal de Justiça (TJ-MT) também já abriu sindicância para apurar, principalmente as denúncias contra o juiz. A Ordem dos Advogados de Mato Grosso (OAB-MT), também acompanha o caso.
A identificação do dono da fectoring que teria trocado os cheques não foi mencionado na reportagem porque ele, apesar de ter sido procurado, não foi localizado. A família do empresário alegou que ele está viajando em férias para fora do País.
O bilionário morto Olympio José Alves, não sentou em frente ao juiz Marcos José Martins de Siqueira, substituto da 3ª Vara Cívil de Várzea Grande (Grande Cuiabá) no dia 26 de janeiro de 2010. Tudo foi apenas uma simulação que gerou uma grande farsa jurídica e na montagem de um golpe milionário.
Não sentou, primeiro porque ele já estava morto. Segundo porque a audiência não aconteceu, pois ela foi apenas simulada. Tudo teria sido “pronto” em um escritório no centro de Cuiabá. O dinheiro que saiu do banco em 11 cheques, teria sido dividido para 11 pessoas. Um dos advogados teria levado calote de R$ 300 mil.
Hoje, quase dois messes depois do golpe ter sido descoberto pela reportagem do Jornal Centro Oeste Popular e do Portal de Notícias, 24 Horas News, que foi a São Paulo fotografar o túmulo e buscar a Certidão de Óbito de Olympio, algumas coisas estão confirmadas.
Uma delas, o bilionário está mesmo morto. O processo protocolado e aberto no dia 12 de janeiro deste ano, mesmo com o Fórum de Várzea Grande em recesso – O Fórum entrou de recesso no dia 20 de dezembro de 2009 e voltou a trabalhar em 20 de janeiro -, tramitou em tempo recorde de 14 dias.
Ainda. O dinheiro dele (de Olympio) saiu de uma conta de espólio. O processo sumiu da 3ª Vara – o processo estaria em cota para um advogado há mais de três meses -, e uma pessoa que teria sido convidada a participar do golpe e não aceitou, estaria sendo ameaçada de morte.
O juiz Marcos Martins homologou, mesmo sem audiência, com morto ou sem morto, o pagamento de R$ 8.115,895,39 para a empresa “fantasma” Rio Pardo, representada pelo empresário André Luiz Guerra, falso sócio que também usou um CPF falso para ser incluído na Rio Pardo Agro Florestal, que só existe no papel, pois teria sido criada em 1984 apenas para fraudar a antiga Superintendência da Amazônia (Sudam).
PRIMEIRA VERSÃO
A primeira versão foi de que Olympio Alves, então morador da cidade de São Paulo, foi levado pelo advogado José Henrique Fernandes Alencastro até a sala de audiências da 3ª Vara Cívil na tarde de 26 de janeiro deste ano. Sentou na frente do juiz Marcos Martins e autorizou o pagamento de mais de R$ 8 milhões.
O dinheiro, segundo a reportagens confirmou através de documentos, seria referente a uma dívida que Olympia teria contraído ao comprar uma fazenda da Rio Pardo Agro Florestal. Só que, tanto a fazenda não existe, como a dívida nunca existiu, sendo inventada para a aplicação do golpe.
Na audiência, ainda teria comparecido o advogado Alexandre Peres de Pinho, representante da Rio Pardo Agro Florestal. “Não tenho conhecimento da morte do senhor Olympio”, afirmou o juiz Marcos Martins para a reportagem ainda no dia quatro de maio deste ano, ainda quando não estava oficializada a morte do bilionário paulista.
Dois promotores que vinham acompanhando o “Caso Olympio” e as investigações da reportagem desde o início do mês de maio, mas que preferem não se identificarem, voltaram a confirmar: “O plano foi perfeito. Aliás, quase perfeito”.
Segundo os promotores, ninguém faz acordo e paga uma dívida de mais de R$ 8 milhões sem pechinchar. Ou seja, no acordo esse valor cairia, para no mínimo R$ 4 milhões. Se quem planejou o golpe queria R$ 8 milhões, que colocasse em jogo uma dívida, de no mínimo R$ 20 milhões. Ai sim, o caso geraria menos dúvidas”, garantem.
Os mesmos promotores também destacaram dois fatores importantes. Primeiro, o juiz tinha obrigação de saber que o dinheiro sairia de uma conta de espólio, e que por conseqüência, que a pessoa estaria morta. Segundo, houve uma denúncia de que Olympio estava morto e essa denúncia, além de ser deixada de lado, sequer foi investigada.
“A fraude está confirmada e mais do que clara. Até porque, usaram o nome de um homem já morto. Se esse caso for bem investigado, muita água ainda vai rolar, e muita gente ainda pode ir para a cadeia. Basta que a Justiça quebre os sigilos bancário, telefônico e fiscal de todos os arrolados no processo, que a verdade virá à tona”, sugerem os promotores.
Vítima: Olympio José Alves, morto aos 86 anos às 13 horas e 50 minutos do dia 15 de junho de 2005. O bilionário morreu no Hospital Beneficente Portuguesa, em São Paulo. Alves que nasceu em 19 de julho de 1919, deixou uma fortuna estimada em mais de R$ 1 bilhão e R$ 600 milhões de reais.
Antes de morrer, Olympio morava no apartamento 51 de um prédio localizado na Rua Renato Paes de Barros, número 142, no bairro Itaim Bibi, área central de São Paulo. Seu corpo está sepultado na Quadra 8, número 36 do Cemitério da Quarta Parada, no bairro do mesmo nome, em São Paulo.
O advogado Alexandre Peres de Pinho, representante da empresa “fantasma”, Agro Florestal S/A. O também advogado José Henrique Fernandes Alencastro, o mesmo que “levou” o morto para a audiência. O empresário André Luiz Guerra, falso sócio da “fantasma” Rio Pardo, também usou um CPF falso.
O juiz Marcos José Martins de Siqueira, substituto da 3ª Vara Civil da Comarca de Várzea Grande, agora está sendo investigado pela Corregedoria Geral do Tribunal de Justiça.
Processo Nþ 32/2010 – Que tramitou em tempo recorde – entre 12 de janeiro a 26 de janeiro de 2010, apenas 14 dias de trâmite e julgamento com acordo – pela 3ª Vara Civil de Várzea Grande.
Em tempo, o Fórum de Várzea Grande entrou de recesso em 20 de dezembro de 2009 e seus funcionários só voltaram ao trabalho no dia 21 de janeiro de 2010. Ou seja, o processo do “Caso Olympio” foi aberto e tramitou durante o recesso pela 3ª Vara Civil, cujo juiz substituto foi o doutor Marcos José Martins de Siqueira.
O banco – nome ainda mantido em sigilo -, tentou resistir em pagar, mas o foi advertido pelo juiz de que caso não liberasse o dinheiro, pagaria uma multa de R$ 20 mil por dia.Banco liberou o dinheiro para o Tribunal de Justiça, que liberou logo em seguida a mando do juiz .
Durante a curta tramitação do mais rápido processo da história – esse tipo de caso leva, segundo advogados especialistas na área civil, em média, de quatro a dez anos -, apenas para o julgamento -, apareceu uma denúncia de que a pessoa que iria pagar uma suposta dívida já havia morrido em São Paulo anos atrás. Mesmo assim o juiz não deu importância à denúncia, e ainda mandou retirá-la do processo.
O mais grave da história, no entanto, é que mesmo morto, Alves “compareceu” ao Fórum de Várzea Grande, onde prestou depoimento, confirmou a dívida e ainda autorizou que ela fosse paga.
Só que, também ficou comprovado que não foi preciso “ressuscitar” o morto. Ou seja, não houve audiência. Foi feita uma simulação de audiência e do acordo entre as partes, agora acusadas de fraude.
A história teria sido inventada por quatro advogados, cujos nomes não aparecem no processo. Eles bolaram um plano através de um outro golpe aplicado contra Olympio no Mato Grosso do Sul, onde os golpistas sacaram quase R$ 4 milhões.
Aqui Olympio Alves estaria devendo um montante superior a R$ 8 mil para a Rio Pardo Agro Florestal S/A. Tudo, no entanto, foi cuidadosamente planejado até a aplicação final do golpe, homologado e pago.
Uma pessoa que soube do caso, pois acompanhou todo o processo fraudulento, já foi procurada para ficar calada com a promessa de receber R$ 300 mil, mas ela não aceitou.
A mesma pessoa foi ameaçada de morte para não abrir a boca e procurou ajuda na Maçonaria. Lá ele teria contado tudo e pedido providências, alegando que, caso ele ou sua família sofresse algum atentado, os responsáveis seriam os envolvidos no processo falso de Olynto. A reportagem é da 24horasnews
Equipe Fenatracoop